Tuesday, November 28, 2006

Fichas atualizadas dos personagens principais:

















Monday, November 20, 2006

PACOTE DE MÚSICAS do episódio 1.12

Chamada para o episódio 1.12


1.12 - PORNOGRAFIA FATAL - “PORN ATTRACTION” - Written by Rodrigo Di Biase

Imagens aéreas do Cemitério Mount Hope, cidade de Rochester - NY. Ao som de “Mazzy Star - Fade Into You”.
A câmera vai passeando entre os jazidos, até chegar a um enterro. Garoa fina caindo.



Algumas pessoas estão sentadas, várias outras de pé. Mulheres bem vestidas com tailleurs e chiques chapéus pretos. Finos véus cobrindo rostos. Lenços. Lágrimas. O padre está soltando seu discurso, gesticulando bastante com uma bíblia na mão; enquanto o brilhoso caixão branco desce a cova. Entre os presentes, o primeiro rosto conhecido é o de Margaux, chorando bastante ao lado de uma Angela inexpressiva, como se olhasse o horizonte. As duas estão sentadas, enquanto Nicholas, vestido com terno preto e uma gravata prata, bem elegante, está com as mãos nos ombros da mãe, posicionado atrás de sua cadeira. Mais perto do caixão está Peter Fairchild, de mãos dadas com Charlie; e sua mãe Linda, escondida atrás de seus óculos escuros; encostando a cabeça em seu ombro, completamente indignada com a repentina morte da filha. Ao lado de Linda está o baixote Allen Rush, com sua cara ranzinza usual, de braços dados com Nikki Sheridan, uma sempre grande amiga de Carrie, agora sua atual esposa. Rachel Dennis está mais afastada, acompanhada de Howard Stern. Quando o discurso do padre termina, muitos jogam flores na cova ainda aberta, todas caindo sobre o caixão. A chuva aperta. Pessoas levantam-se. Algumas correm para seus carros. Mulheres com mãos por cima da cabeça, tentando se esquivar dos pingos em vão. Os respectivos maridos tentando cobri-las. Após alguns minutos o lugar começa a ficar vazio. Cadeiras brancas derrubadas na grama molhada. A chuva continua a cair forte.
A música aumenta e a câmera foca uma das guirlandas de flores, situada ao lado da cova, já bem molhada, onde nela encontra-se uma faixa contendo os dizeres: “Carrie Fairchild, filha amada, descanse em paz”.

ABERTURA

Guest starring:


Dentro da limusine de Margaux.
“Como podem enterrar um caixão sem um corpo?” Pergunta Angela.
Ela e Nicholas trocam algumas poucas frases enquanto Margaux, pensativa, apenas olha fixamente pela janela, vendo a chuva cair e as árvores passarem incessantemente. Ela relembra os acontecimentos do noivado de Angela.
Flashbacks da festa de uma semana atrás:
“Ela vem descendo as escadas quando Joe entra na sala, que está cheia de convidados. Todos se assustam com seu estado, todo machucado e com a roupa ensangüentada. Margaux corre até ele, preocupada, perguntando o que aconteceu. Todos se levantam. Joe nada fala; apenas tira uma pistola preta da cintura, escondida debaixo da camisa. Expressões de pavor em toda a sala.
Margaux estende as mãos em sua direção, apavorada, sem saber o que fazer. Joe pega a arma e a segura apontada ao lado de sua cabeça. Fecha os olhos, dos quais escorrem algumas lágrimas. Algumas pessoas gritam, outros olham para o chão. Margaux fica estática. Joe aperta o gatilho, atirando no próprio crânio; cai ao chão, sujando o mármore branco com sangue. Margaux grita para que alguém chame uma ambulância, pondo a cabeça do garoto em seu colo, já sentada ao lado do corpo inconsciente”.
Volta a cena para a limusine.
Margaux sai de seu transe momentâneo com a voz de Nicholas a chamando.
“Onde está com a cabeça, mamãe?”
“Onde mais seria Nicholas, senão no hospital?” Completa Angela com certo tom irônico.
Margaux não dá atenção aos filhos continuando muda, voltando a observar o horizonte pela janela do carro.


Começa a tocar a música “Orbital - One Perfect Sunrise”, e a câmera vai subindo, até mostrar imagens aéreas da limusine seguindo pelo asfalto da sinuosa estrada. Segue o carro por um tempo até vê-lo sumir no horizonte.


Corta a cena para imagens da região de Brentwood, em Los Angeles



Dawnie está entrando numa luxuosa mansão, escoltada por um homem em seu terno, com aparência de guarda-costas, desde o portão até uma grande sala, onde ele diz para esperar. Ela dá uma olhada em volta gostando da opulência do local, tira um chiclete da bolsa e põe na boca. Coloca a mão por baixo da mini-saia e ajeita a calcinha, sentando em seguida, com as pernas cruzadas. Após alguns minutos o produtor pornô Kristen Beacon aparece vestindo apenas uma sunga vermelha e uma camisa florida completamente aberta: “Dawnie Bunny! É um prazer tê-la aqui em minha casa”. Ele aproxima-se e lhe dá um selinho na boca, como se já tivessem muita intimidade. Ela se assusta um pouco, sem demonstrar nenhuma reação.
“Vamos tomar um pouco desse sol maravilhoso; venha, vamos conversar melhor na piscina, minha menina” pegando-a pela mão e a guiando pelo vasto jardim. Ao chegarem à enorme piscina em formato de um par de seios, ele pede a um dos empregados para trazer um biquíni para ela.
“Não, senhor Beacon, não tenho vontade alguma em cair na água, apenas poderíamos conversar e...”
Beacon a interrompe, dizendo não precisar chamá-lo de senhor, e que ficaria muito desapontado se ela não fizesse companhia a ele na piscina. Ela fica um pouco embaraçada, não tendo como não aceitar o pedido do forte homem. Ele lhe oferece uma taça com algum drink colorido, dizendo ser uma especialidade de seu barman. Ela toma um pequeno gole, e os dois são interrompidos pelo empregado trazendo apenas a parte de baixo de um minúsculo biquíni. Beacon pega, dá uma olhada, cheira, e diz que deve servir.
“Ele não esqueceu a parte de cima?” pergunta ela já sabendo a resposta.
Beacon apenas chega por trás e começa a despi-la: “Você vai ficar muito gostosa aqui dentro” diz entregando-lhe a peça. Ele percebe o desconforto criado ali; afasta-se, levanta os braços e começa a falar num tom mais alto: “Preciso ver a sensualidade percorrendo o corpo de Dawnie Bunny! Preciso sentir o tom certo de seu “sex-appeal” para a minha próxima produção de sucesso!”
Dawnie solta um sorriso. Tira a roupa, colocando o pequeno biquíni, deixando os seios à mostra.
Um tempo depois, a peça vermelha do biquíni está solta na borda da piscina, e Kristen Beacon está segurando Dawnie por trás, mãos nos seus seios, penetrando-a com voracidade dentro da água. Ela está apoiada na borda, cabelos molhados, olhos fechados e muito excitada com toda a situação. Ao longe, alguns empregados e guarda-costas masturbam-se assistindo a cena.


West Hollywood. Apartamento de Brian.
Griffin está dormindo no quarto. A porta se abre devagar e Brian entra em silêncio. Ele fica alguns minutos parado observando o amigo que está deitado de bruços apenas de cueca; como se observasse uma obra de arte, hipnotizado. Lentamente ele vai se aproximando de Griffin, escora-se na cama. Pensa um pouco e muda de idéia, afastando-se. Griffin remexe um pouco. Brian, nitidamente excitado em baixo de seu curto short, novamente se aproxima e num suspiro de coragem toca a coxa de Griffin.
Brian gosta muito do que está sentindo no momento; tensão misturada com tesão. Com uma das mãos ele acaricia seu próprio pênis por cima do nylon amarelo do short, e com a outra, vai acariciando bem devagar as pernas com pelos finos e loiros de Griffin. Vai subindo com a mão até chegar numa das nádegas. Griffin acorda num pulo, assustado. Brian também se assusta, mas não sai dali. Apenas recua alguns passos.
“Que merda é essa, cara? Que veadagem é essa que tu está fazendo?”
Brian nada responde. Apenas encosta na porta do guarda-roupa, fecha os olhos, e continua a segurar seu membro. Griffin levanta-se, e antes de sair do quarto dá um belo soco no peito do amigo: “Primeira e última vez que me toca, ô boiolão!” fala ele cruzando a porta.
Brian abre os olhos e sorri, só pensando ter percebido a ereção que Griffin também estava tendo por debaixo da cueca, depois do ocorrido.

Revista Today.
Tessie está em sua mesa, ao telefone:
“Não se preocupe. Estamos aqui preparando e cuidando de tudo, não tenha dúvidas que você será muito bem tratada enquanto estiver por aqui”. Após desligar, solta um sorriso.
Momentos depois Rachel entra na sala e a ex-secretária logo diz ter ótimas novidades. Rachel, fazendo sinal de silêncio, pede para que ela não abra mais a boca na frente das outras pessoas com quem divide o local de trabalho, e a manda estar em sua sala, com um café sem açúcar, dali a cinco minutos. Assim que as duas deixam o local, Natasha fecha um dos arquivos que estava pesquisando por ali, e fica muito desconfiada e interessada no tal segredo das duas.


Sala de Rachel.
Ela está sentada, tomando o copo de café, enquanto Tessie tagarela, rodeando pela sala.
“Primeiro pare de girar igual uma barata tonta e me conte com detalhes todo esse telefonema”.
Tessie respira fundo, já sentada: “Temos carta verde para trazermos a diabinha Remington mais nova para Los Angeles! Não é ótimo? Caroline está ansiosa para voltar à cidade. Disse estar com saudades e que não vê a hora de rever os pais e os irmãos. E o melhor: Não vê a hora de poder tirar deles, tudo o que ela tem direito”.
Rachel fica cada vez mais entusiasmada com as palavras que vai ouvindo: “Mas você não foi estúpida em contar para a pirralha tudo o que ela tem direito, não é?”
“Claro que não contei! Mas fui bem enfática que ela realmente está sendo passada para trás pela sua família nada típica de comercial de margarina”.
“Muito bom Tessie. Temos que nos certificar que toda essa vinda de Caroline Remington para cá, seja a mais sigilosa possível” diz batendo os dedos na mesa. “Preciso pensar agora é o que fazer com Howard”.
“Mas o senhor Stern é o sócio majoritário da Today, não é? Então somente com a parte que Caroline tem direito não poderemos simplesmente tirá-lo da jogada”.
“Coloque essa cabecinha pra pensar, idiota! Nunca pensei em tirar Howard da jogada; por enquanto ele será apenas um bom aliado”.
“E os Remingtons?”
“Minha cara Tessie, esses nós teremos o prazer de presenciar serem escorraçados daqui a ponta-pés, caindo sentados de bunda, lá na calçada. Principalmente aquela vaca velha da Margaux”.
As duas caem nas gargalhadas.


Wilshire Memorial Hospital.


Margaux está num dos corredores acompanhada de Nicholas.
“Preciso ver como está o estado de Joe, e conversar com o médico responsável por ele. Enquanto isso vá ver se Trevor está pronto em seu quarto, para irmos para casa”. Nick segue o corredor até o elevador, enquanto ela vai atrás do médico, e acaba o encontrando na porta da UTI, onde o rapaz está internado.
“As notícias não são muito boas, Sra. Remington. Apesar de a bala ter pegado de raspão no cérebro, ela fez um bom estrago”.
“Sim, sim, isso eu já compreendi doutor. O que estou querendo saber é sobre as seqüelas que Joe poderá a vir ter ao acordar do coma”.
“Ainda não podemos dizer ao certo” ele diz balançando a cabeça.
Ela insiste: “Mas?”
“O ferimento aconteceu perto de áreas do cérebro que controlam alguns movimentos do corpo, além da visão e da fala”.
Margaux coloca os dedos em cima do nariz e da boca mostrando grande preocupação. Olha pelo vidro, e lembra-se que semanas atrás quem estava deitado naquele mesmo leito era Trevor.


Quarto de Trevor.
Nicholas bate na porta, sem resposta. Entra. Vê apenas uma mala quase pronta em cima da cama feita. Logo Trevor sai do banheiro apenas enrolado numa pequena toalha branca. Nicholas gosta do que vê.
“Pronto para sua nova vida?” Pergunta ele sarcástico.
“Margaux está sendo uma verdadeira mãe pra mim. Não tenho nem como agradecer”.
“Não se preocupe, com certeza ela achará um jeito bem peculiar em fazer você agradecê-la”.
Trevor solta um sorriso de lado, e percebendo os olhos ávidos de Nicholas em seu físico, ele deixa a toalha cair propositalmente no chão. Nick suspira e começa a se mexer para tentar disfarçar uma ereção. Trevor veste seu jeans polido sem cueca mesmo, coloca uma regata branca, calça um par de tênis e antes de pegar sua mala, dá uma apertada na bunda de Nicholas: “Não precisa ficar envergonhado. Agora que viraremos irmãozinhos, poderemos nos divertir bastante juntos”.
Nick não acredita no que acabou de ouvir e tenta segurar um sorriso. Pega a mala da mão de Trevor, e o guia, com uma das mãos em seu ombro, para fora do quarto.
Os dois encontram Margaux em frente a UTI. Nicholas pergunta qual o estado de Joe, e depois de contar toda a situação passada pelo médico, ela e seus dois garotos seguem para fora do hospital. Trevor ficou observando Joe por alguns momentos, mas não conseguiu identificá-lo como sendo o autor da facada que levou. Ainda no corredor, Trevor andando abraçado a Margaux com um dos braços em seu ombro, aperta a bunda de Nicholas novamente com sua outra mão.


NY. Imagens do Central Park, chegando até o edifício onde fica o apartamento de Linda Fairchild, mãe de Peter, ao som de “Lisa Ganz - Sincerely Yours”.
Linda está jantando com o filho e Charlie. Ela ainda está visivelmente abatida, mas conseguindo abrir alguns sorrisos.
“Charlie, você, então, é a culpada por essa idéia maluca do Peter em abrir uma filial do escritório de advocacia dele lá em Los Angeles” afirma Linda com a taça de água na mão.
Charlie fica um pouco sem jeito com a questão colocada. Peter toma a rédea da conversa: “Mamãe, sempre falei em ter uma filial na costa leste. Isso não é uma decisão nova ou apressada”.
Linda percebe o desconforto instalado na mesa e tenta contorná-lo: “Não que eu não tenha gostado do relacionamento entre vocês dois; desculpe se me expressei errado. Charlie, você é a melhor companhia que vejo com meu filho em muito tempo”. Diz pegando a mão da moça.
Charlie sorri, agradece, olha para Peter, e diz que está tendo momentos incríveis ao lado dele.
“E entendo como a senhora deve estar se sentindo. Com Peter se dividindo entre Nova Iorque e Los Angeles, estará sem sua companhia nesse momento tão delicado”.
Os três continuam com o jantar, até Charlie ser interrompida com o toque de seu telefone celular. Ela se levanta da mesa dizendo que ser diretora de uma revista tem seus importunos. Pega o telefone e vai até outra sala do grande apartamento para atender a ligação. Olha mas não reconhece o número descrito no visor do aparelho. Atende.
“Charlie, querida? Quem está falando é Mimi Heiss; conhecemos-nos na festa de noivado de Angela Remington”.
Charlie lembra-se dela e as duas trocam algumas pequenas frases, até Mimi convidá-la para um jantar: “Precisamos conversar e amadurecer aquelas idéias que trocamos, para aquelas matérias quentes que tenho como ajudá-la a conseguir”.
“Não me diga que você conseguiu o contato sobre a tal cadeia de tráfico de órgãos em LA”.
“Precisamos nos encontrar o mais rápido possível, ou perderemos essa bocada” mente a cafetina. As duas combinam o encontro e Charlie desliga o celular, muito entusiasmada. Ela retorna à sala de jantar e diz que precisará voltar imediatamente para Los Angeles, pois acaba de conseguir a primeira grande matéria que irá estampar a capa da revista Today.


LA. Escritório de Mimi.
Ela está sentada em sua mesa. Jonathan e Romeo estão com seus copos de uísque nas mãos.
“Ela mordeu a isca. Caiu como um patinho! Irei encontrar Charlie ainda esta noite” diz ela levantando-se.
“Romeu, precisamos estar preparados para essa nossa primeira investida”.
Ele concorda com Jonathan, e os dois brindam batendo seus copos: “Ao nosso negócio mais lucrativo!”
Mimi vai até os dois: “Jonathan, você já tem em mente que diabos irá fazer com Howard Stern?”
“Tudo em seu tempo, minha querida, tudo em seu tempo! Só o que posso dizer por enquanto é que uma cova bem funda está sendo cavada”.
Ela abraça Romeo, que não se esquiva, e lhe dá um demorado beijo. Jonathan também se aproxima, abraçando-a por trás, e começando a beijá-la na nuca. Minutos depois ela pega os dois pelas mãos e os leva a caminho de seu quarto.
Ela tranca a porta na cara da câmera.


Imagens da noite de LA ao som de “Megan McCauley - Reverie”.


Mansão Remington.
Margaux, Trevor e Nicholas estão jantando, quando Angela chega da rua junto de Griffin.
“Não se preocupem que não iremos jantar em casa. Estamos atrasados para uma apresentação de balé que iremos assistir” diz ela subindo as escadas e deixando Griffin na cova dos leões.
“Vai levá-la ao balé, cunhadinho?” Ironiza Nick. “Ou seria o contrário?”
Griffin não dá importância a ele, pegando um pedaço de pão na mesa e começando a comê-lo.
“A data do casamento, já resolveram?” Pergunta Margaux.
“Deixo tudo relacionado ao casamento a cargo de sua filha”.
“Não tenha tanta certeza que esse casamento irá acontecer, mamãe. Você sabe o histórico que Angela possui de seus noivos desaparecerem em cima da hora” diz Nick olhando fixamente para o futuro cunhado.
“Cuidado com o que fala, maninho, ou Griffin pode levar essas suas tiradas como uma ameaça” rebate Angela entrando na sala de jantar, pegando o noivo, e saindo em seguida.
Mesmo com os dois não mais presentes, Nicholas finaliza: “É exatamente isso que quero que esse vagabundinho pense”.
“Não concordo com essa sua rixa com o Griffin. Eu não tenho nada contra ele”.
“Nem poderia, mamãe, você e sua queda por jovens perdidos no mundo” ele olha para Trevor e completa “não é nada pessoal”.
“Cale a boca, Nicholas. Cansei desse seu sarcasmo podre”.
Os três continuam a comer em silêncio. Nicholas sente o pé de Trevor roçar em sua perna, por debaixo da mesa. Os dois entreolham-se e o modelo dá um sorriso sacana pelo canto da boca. Margaux começa a falar com o modelo sobre sua nova vida ali na mansão, a partir de agora, sem notar o que está acontecendo entre os dois. Trevor já está com o pé acariciando o membro de Nicholas, já ereto, que tenta esconder sua excitação, não conseguindo.
“Nicholas? Está sentindo alguma coisa?” Pergunta Trevor de sacanagem.
Margaux, então, o observa também fazendo a mesma pergunta para ele com os olhos.
“Apenas um mal estar passageiro. Acho que minha pressão não está muito normal”.
“Realmente, você está suando frio!” Diz ela levantando-se para tentar colocar a mão na testa do filho e sentir sua temperatura. Ele rapidamente pega o guardanapo branco de pano e o joga no colo, escondendo tudo o que está se passando. Finalmente Trevor recolhe a perna, e pede licença, dizendo precisar fazer uma ligação para Hillary Michaels, a dona da agência de modelos. Margaux também sai da sala, em seguida, dizendo que vai ligar para o médico. Nicholas respira fundo, aliviado e ao mesmo tempo frustrado, não conseguindo acreditar o quanto aquele rapaz está mexendo com ele.


Restaurante Open Sea em Malibu.
Dawnie e Romeo estão jantando. Ela muito entusiasmada contando sobre seu futuro filme.
“O título do filme terá meu nome, dá pra acreditar?”
“Não ficaria com toda essa ansiedade em filmar uma produção de Kristen Beacon. Você ainda não o conhece direito, e não falam muito sobre ele no ramo”.
“Como não, Romeo? Um dos maiores produtores pornôs do país, e você acha que não devo aceitar o papel que ele está me proporcionando?” Ela larga os talheres no prato: “Sabe o que eu acho? Que você está com ciúme de eu trepar com outros caras, e isso tornar-se público depois”.
“Beacon é excêntrico, Dawnie; um homem que não mede esforços para conseguir lucros. Só estou te avisando para abrir os olhos, e tomar cuidado para não se machucar”.
Ela fixa seu olhar dentro dos olhos do namorado: “Você fica tão lindo com ciúme” e inclina-se para beijá-lo; ficando assim por um tempinho. “Tenho certeza que você vai adorar estar tomando conta da futura mulher mais desejada da Califórnia”. Romeo apenas levanta as sobrancelhas e continua a comer seu talharim.


Aeroporto de LA.
Charlie segue a passarela de desembarque em direção às esteiras, para reaver sua bagagem. Enquanto espera por sua mala, pega o telefone e faz uma ligação: “Mimi, é Charlie. Acabei de desembarcar aqui em Los Angeles”.
“Bom que você ligou. Fiz reservas em um novo e exótico restaurante em Santa Barbara. Tenho certeza que você irá adorar. Eles possuem um cardápio muito variado, com especiarias raras, difíceis de serem encontradas por aqui”.
Charlie aprova a escolha, finalizando a ligação, dizendo que precisa apenas de uma hora para chegar a sua casa e tomar um banho.
“Claro, querida, não se preocupe. Anote aí o endereço do lugar...”


Mansão Remington, quarto de Margaux.
Trevor entra e fecha a porta. Margaux está trancada no banheiro, e lá de dentro ela pede para que ele fique esperando, deitado nu como um menino bem obediente. Ele obedece. Minutos depois ela pára na porta, vestindo um espartilho e botas de couro preto: “Hora de brincar um pouquinho, meu ursinho!” Trevor assusta-se um pouco, mas no fundo acha divertido, entrando no jogo. Margaux diz ter umas brincadeiras deliciosas para mostrar a ele; e que será obrigado a aprender tudo direitinho, do jeito que ela mandar. Ele responde que sim, mas ela grita: “Não abra a boca sem minha ordem!” E dá alguns tapas em seu rosto, continuando a falar: “Você terá que aprender a gostar de me respeitar, e quero vê-lo implorando por um pouco de sofrimento”.
Ela abre uma de suas gavetas, tira uma corda, amarrando seus pulsos juntos em seguida, impossibilitando-o de mexer com as mãos. Percebe que ele ainda não teve ereção alguma, e começa a seduzi-lo, terminando com a boca em seu membro: “É melhor acordar seu amiguinho aqui, ou então o dono dele sairá machucado!”
Trevor um pouco nervoso, não consegue concentrar-se, não conseguindo também ereção alguma. Ela, então, o puni, fazendo-o sentir dor com alguns objetos sadomasoquistas: “Se não vai dar-me um membro rígido, quero o seu traseiro então!” Diz ela subindo em cima da cama e virando o modelo de costas; em seguida pegando um consolo não muito pequeno na mesma gaveta, e dizendo que ele aprenderá a nunca mais brochar em sua presença. Trevor tenta se esquivar, mas ela bate em seu rosto, puxa seus cabelos para trás como se fosse uma rédea, e diz querer obediência. Ele morde o travesseiro enquanto ela vai enfiando aos poucos todo o consolo lubrificado em seu traseiro. Ele urra.
No corredor, fora do quarto, Nicholas está impaciente, ouvindo os gritos da mãe e do rapaz.
“Você devia estar é na minha cama, e não comendo essa velha!” pensa ele, nervoso, andando em círculos e com um cigarro acesso na mão. Coça a cabeça. Os urros do modelo continuam cada vez deixando Nick mais inquieto. Ele enfia, então, a mão no bolso, retira a chave de seu carro e desce as escadas a caminho da porta de saída.


Saída do espetáculo de balé, no Centro Musical de LA, situado na North Grand Avenue.
Angela está saindo de braços dados com Griffin. Alguém chama alto por seu nome, ela vira-se e dá de cara com Troy Sundance, seu ex-noivo de alguns anos atrás.
“Angela, que saudades! Há tanto tempo não nos vemos” diz ele a abraçando forçadamente, e ela não retribuindo a carícia. “Eu li em algum lugar que você vai se casar. Vim lhe dar os parabéns”.
Ela agradece secamente, e joga em sua cara que finalmente encontrou um homem que vale a pena, apresentando Griffin em seguida. Troy se despede, e deixa o casal. Angela fica atordoada com o inesperado encontro.
Um Griffin enciumado pergunta: “Quem é esse?”
“Alguém de muito tempo atrás que não possui valor algum” são as únicas palavras que saem da boca de Angela, que começa a puxá-lo em direção à saída. São barrados por Rachel e Howard, que se posicionam na frente dos dois: “Olha só, não sabia que vocês viriam” diz Rachel, cumprimentando-a com beijinhos no rosto.
“Não é preciso ter uma plaquinha escrito “diretor” na porta de sua sala para ser convidado para eventos; isso um bom sobrenome resolve. Sugiro que segure seu cargo com unhas e dentes, minha cara, pois sobrenome você só tem um pro resto de sua vida”.
Rachel fecha a cara com a insolência. Angela agora cumprimenta Howard. Rachel aproxima-se e diz a Griffin que precisa conversar muito com ele; que pela manhã a procure em sua sala, na Today. Quando estão se despedindo, Rachel sussurra em seu ouvido: “E Dawnie, como vai? Mande lembranças minhas a ela”. O que deixa Griffin muito encucado.

Corta a cena para dentro do carro de Angela, com os dois já a caminho de casa. Ela dirige.
“Vai me contar ou não quem era aquele cara lá na saída do balé?”
“É passado, Griffin, não quero ficar remoendo lembranças”.
“Em pouco tempo serei seu marido; não acha que tenho o direito de saber?”
Após pouco tempo em silêncio, ela começa a falar sobre Troy: “Fomos noivos. Pouco tempo antes do casamento, a piranha defunta da Carrie Fairchild deu pra ele; ele acabou apaixonando-se por ela, e poucos dias antes do nosso casamento ele terminou o noivado”.
“Não acredito. A Carrie fez isso?”
“Aquela imagem de santa que ela passava pra todo mundo era apenas fachada. Uma piranha, isso sim. Espero que esteja dando no inferno agora”.
“Então ela te tomou o cara, e depois o que aconteceu com os dois?”
“Carrie deu um belo chute na bunda dele dois meses depois”.
Os dois continuam a falar sobre Troy Sundance até chegarem à mansão em Beverly Hills.

Estrada para Santa Barbara. No rádio do carro toca a música “Nick Drake - Northern Sky”.
Charlie pára num posto de gasolina para abastecer. Pede para encher o tanque e pede informações sobre a região pra onde está indo. O frentista diz não estar muito longe: “A senhora não gostaria de verificar o nível de óleo do carro?”
“Não, muito obrigada. Acabei de comprá-lo. Não creio que seja necessário”.
Enquanto ele está enchendo o tanque ela pega o celular e tenta ligar para Mimi, para dizer que chegará um pouco atrasada; mas não consegue uma boa recepção de sinal para completar a chamada.


Wilshire Memorial Hospital - UTI.
Joe acorda sozinho no quarto. Zonzo, ele tenta olhar a sua volta, sem reconhecer o local. Só depois de um tempo percebe estar num quarto de hospital.
“Oi, alguém por aqui?” Grita tentando chamar atenção. Sem resposta, tenta levantar-se da cama, mas percebe estar sem movimento algum nas pernas. Assustado, tenta mexê-las a todo custo, em vão. Apavorado ele começa a gritar desesperadamente.


Santa Barbara.


Charlie leva um tempo até encontrar o endereço dado por Mimi. Ela pára em frente a uma mansão, e fica intrigada pensando não ter anotado o endereço corretamente. Olha novamente no papel onde o escreveu e certifica-se que realmente este seria esse o local. Segue em frente e acaba deparando-se com uma placa onde escrita: “Golden Goose Spa”.
“Um spa? Essa Mimi só pode ser doida!” Fala consigo mesma.
Pára com o carro no pequeno estacionamento do lugar, onde existe apenas um outro carro estacionado.
“Mimi, devo concordar que no quesito originalidade você venceu. Mas acredito que o local não é dos mais populares” diz observando as muitas vagas vazias. Ela resmunga, abaixando e colocando seus sapatos pretos de salto alto. Vai em direção à entrada, não cruzando com uma viva alma. Acha estranho. Apenas sente a iniciativa de tocar a campainha, mas antes a porta se abre e um enfermeiro loiro aparece.
“Desculpe-me, mas gostaria de saber se estou no local certo. Existe algum restaurante tailandês por aqui?”
O enfermeiro não abre a boca, apenas faz um gesto com o braço, dando passagem para que ela entre. Ela segue em frente e ele tranca a porta logo após. Ao chegar a uma recepção às escuras ela começa a ficar assustada, vira-se para o enfermeiro que logo já a envolve pelos braços, colocando um lenço umedecido com formol em seu nariz, apertando com força, obrigando-a a respirar o líquido. Acaba inconsciente nos braços do homem.
“Claro que você está no lugar certo senhorita, e adivinhe quem será o prato principal” diz ele a carregando pela penumbra dos corredores do lugar.


Início da madrugada. Ruas de West Hollywood.

Nicholas está andando com seu carro, devagar, procurando por algum garoto de programa que o agrade. Passa por vários conhecidos. Alguns já o chamam pelo nome e dizem estar com saudades de seu traseiro. O carro continua a seguir. Ele olha para Marc, o amigo stripper de Joe, parado num dos postes. Ele se aproxima da janela e pergunta se Nick está afim de diversão.
“Você é gostosinho, mas não estou afim de loiros hoje” e chama um outro michê, com cabelos pretos cheios, e lábios carnudos. Faz sinal com a cabeça para que ele entre no carro. Marc se afasta vendo o porsche preto sumir na avenida.
A câmera corta para um quarto de hotel na penumbra, ao som de “Schiller - Dream of You”.
Nicholas está tirando a roupa do garoto de programa, deixando-o só de cueca, e começando a acariciar seu pênis por cima do pano. O rapaz já demonstra excitação. Logo ele vai com a boca ao local. Após um tempo, os dois já estão nus, com Nicholas o chupando vorazmente; o michê demonstra estar adorando: “Isso... Engole todo esse pau do teu Mike” diz o puto deitando-se na cama, com Nicholas ainda o abocanhando, que ao ouvir a tal frase, pára, levanta-se violento e dá um soco no queixo do rapaz: “Trevor! Eu falei que teu nome é Trevor!”
O rapaz logo obedece, levantando-se e forçando Nick a ficar de quatro em cima da cama: “Então o Trevor aqui vai comer muito esse teu rabinho agora!” e começa a ter a iniciativa de penetrá-lo. Nicholas ainda tenta pegar uma camisinha que está em cima do criado-mudo; a pega na mão, mas nesse momento o suposto Trevor já o penetra fortemente, num vai e vem acelerado.
A música aumenta.
Nicholas urra de tesão, deixando o preservativo fechado cair no chão.


Golden Goose Spa. Santa Barbara.
A câmera vai percorrendo os corredores vazios, escuros e frios do lugar. Uma música abafada é ouvida ao fundo, ficando cada vez mais alta com o seguir do caminho.
Numa sala de cirurgia, Charlie está inconsciente numa mesa, e dois médicos estão à sua volta. Em silêncio, eles já estão no meio de um procedimento cirúrgico. Trabalham com muita calma.
Ao som de“Beethoven - 5th Symphony”, a câmera vai afastando-se da mesa cirúrgica, e vai revelando o outro lado da sala, onde num canto está Jonathan sentado, observando tudo, completamente inexpressivo.

Mansão Remington.
Nicholas chega tarde da madrugada, e segue direto para seu quarto. Começa a tirar sua calça jeans, ficando apenas com a camisa pólo... Toma um susto quando sente a presença de alguém na porta, vira-se e Trevor está lá, apenas de cueca, apoiado com o ombro no portal.
“Chegando tarde em casa, Nick” diz num tom de reprovação.
“Trevor, ainda de pé? Onde está Margaux?”
Sem responder, o modelo entra no quarto e ajuda Nicholas a tirar a camisa, fazendo questão de passar as mãos em seu peito. Nicholas se derrete. Trevor encosta-se nele por trás e começa a falar bem perto de seu ouvido: “Quando é que vamos começar a nos divertir?”
Nick joga sua cabeça para trás, pensando em encostá-la no ombro do modelo, mas este se afasta e volta a ficar encostado no portal de madeira. Nicholas frustra-se. Logo em seguida Margaux aparece, entregando um copo de água para Trevor, que a agradece com um beijo demorado na boca. Após beber um gole, a abraça por trás, dirigindo-a a caminho de seu quarto.
“Tenha uma boa noite Nick!” ele finaliza.
Nicholas segue para seu banheiro e joga água gelada no rosto, tentando tirá-lo da cabeça.


Amanhece em LA ao som de “Lindsay Lohan - Over Sky”.
Imagens da região de Brentwood.
No escritório da mansão de Kristen Beacon, está Dawnie e dois dos cinco atores pornôs que irão contracenar com ela no filme.
“Você será a estrela exclusiva dessa produção, Dawnie. Só você irá contracenar com cinco dos melhores atores da Califórnia”.
“Kristen, nem sei como agradecer a você por este papel”.
Ele continua a explicar sobre datas, contratos e cachês; Dawnie fica atenta a tudo, e vez em quando o sermão de Romeo contra Beacon vem a sua cabeça.
O produtor pede para que os três atores fiquem nus e insinuem posições sexuais para poder sentir a química entre eles.
Downtown. Revista Today.
Griffin chega, passa pelo hall cumprimentando Natasha, e segue direto para a sala de Rachel Dennis. Ele entra e senta, enquanto ela termina uma conversa ao telefone.
“Que trabalho você tem de especial pra mim, chefinha?”
Antes de ela começar a falar, vai até a porta e a tranca. “Griffin, você já ouviu falar no nome Caroline Remington?”
“Claro. É a irmã mais nova de Angela e Nicholas. Se não me engano estuda na Suíça, estou certo?”
“Sim e não. Realmente Caroline é a filha mais nova de Margaux e Jonathan Remington; mas ela não está mais estudando na Suíça. E esse é o ponto em que quero chegar: Griffin, Caroline estará chegando aqui em Los Angeles em breve. Tenho planos para ela, tanto aqui na Today como em algumas jogadas particulares que não vêem ao caso entrarmos em detalhes” ela levanta-se e aproxima-se dele “gostaria muito que você me ajudasse a deixar a vaca da Margaux, a Angela e o Nicholas longe disso tudo. De início eles não poderão nem saber da presença da menina na cidade”.
“Rachel, Rachel... Como você tem a pretensão de achar que eu me virarei contra a minha futura esposa e sua família? Você só pode estar louca”.
Ela anda até a janela, pára, respira fundo e vira-se: “Ou você me ajuda, ou seu casamento vai pro lixo!”
Ele sorri e pergunta como isso poderia acontecer.
Com um dos dedos encostado em seu peito, Rachel, em pé bem em frente a ele responde: “Meu caro, você não quer que a pobrezinha da sua noivinha saiba de seus tórridos encontros com Dawnie Restwood pelos banheiros da mansão”.
Griffin fica atônito, sem saber o que dizer. Rachel vai até a mesa e pega alguns papéis, começando a lê-los: “Dawnie Restwood, ou melhor dizendo Dawnie Bunny: vasta ficha policial, prostituição, capa de vários filmes pornográficos... A única coisa que ela não pode ser, é sua irmã” ela entrega o dossiê completo nas mãos dele, que rapidamente passa o olho e vê que sua armação com Dawnie está prestes a ir por água abaixo.
“Se você quiser que esse seu golpezinho baixo contra os Remingtons, que eu aprovo com louvor, siga em frente, a partir de hoje você me ajudará a impedir que alguém daquela família coloque as garras em cima de Caroline”.

Wilshire Memorial Hospital.
Margaux está com Trevor na recepção, esperando o médico responsável por Joe, que logo chega com uma prancheta nas mãos.
“Sra. Remington, sinto-lhe dizer que as notícias não são das melhores”.
Margaux segura forte a mão de Trevor, esperando o diagnóstico.
“Joe acordou do coma esta madrugada, ele está consciente e fora de perigo. Mas perdeu todos os movimentos do corpo, da cintura para baixo. Eu sinto muito”.
Os olhos dela começam a lacrimejar. Trevor a abraça.
“Ele nunca mais irá andar, doutor?” Pergunta ele.
“Isso só poderemos dizer daqui a algum tempo. Mas faremos o possível para tentar reverter essa situação”. O médico diz que os dois podem ver Joe agora, que ele está acordado. Em seguida os deixa. Margaux começa a andar rapidamente, puxando Trevor pela mão. Ao chegar à UTI, ela diz que vai entrar, e pede que o rapaz busque um copo de água. Já dentro do quarto, Joe fica feliz em vê-la, apesar de todo o ocorrido. Ela corre e o abraça, beijando sua testa.
“Pensei que nunca mais fosse olhar dentro desses teus olhos lindos!” Diz ela tocando seu rosto.
Lágrimas começam a escorrer dos olhos dele: “Desculpe por tudo de errado que fiz Margaux, eu não pretendia...” Ela o corta antes que ele pudesse terminar a frase: “Não fale mais nada, meu amor. Eu te perdôo. Não se preocupe que eu te perdôo”.
“Margaux, eu não vou mais andar...”
Trevor entra no quarto interrompendo a frase de Joe. Deparando-se com ele e levando um susto, deixando cair o copo de plástico com água no chão; percebendo estar de frente com o cara que o esfaqueou na agência Hunks, e o culpado por tê-lo deixado em coma: “Você! Você é o Joe?” Surpreende-se.
Margaux olha para a cara dos dois rapazes, ambos muito assustados, e não entende nada o que está se passando.

Mansão de Kristen Beacon.
Ele está sozinho em seu escritório, ao telefone. Na TV situada em frente a sua mesa, passa um antigo filme de Dawnie; na cena ela transa com três caras ao mesmo tempo, que se revezam penetrando-a.
“Estou te dando a certeza que esse será o filme mais lucrativo da história da indústria pornográfica; pode ter certeza disso” diz ele conversando com um dos investidores de suas produções. “Não se preocupe, isso não trará gastos adicionais, e sim muito, muito lucro” dá, então, uma alta gargalhada.
“Como farei isso? Marketing, meu amigo. Marketing dos bons. Você já ouviu falar naquela história de que os quadros de um pintor só ficam valiosos depois que ele morre? Imagina, então, o quanto poderemos lucrar com um filme sendo lançado após o fatal acidente de sua protagonista...”

Golden Goose Spa. Santa Barbara.
Num banheiro com ladrilhos formando um mosaico branco e preto no chão, está uma grande banheira de metal, onde se vê apenas uma mão para fora. Nota-se ser uma mão feminina.
A câmera aos poucos revela Charlie inconsciente dentro da banheira.
Ela está quase totalmente imersa com a banheira lotada de gelo.
Sua pele está enrugada pelo muito tempo de exposição na água decorrente do degelo. Está muito pálida, já quase sem coloração. Aparentemente morta.
Os dedos da mão que está para fora começam a fazer pequenos movimentos fracos. Seus olhos de repente se abrem denotando muito pavor. As pupilas correm de um lado para o outro dos olhos. Ela tenta se mexer, mas tem muita dificuldade e sente muita dor em todo seu tronco. Por alguns segundos ela olha ao seu redor, percebe estar no meio de todo aquele gelo, e por isso seus movimentos estarem prejudicados. Confusa, ela tenta soltar algumas palavras, não conseguindo. Apóia-se com as mãos na borda da banheira fazendo força para tentar sair. Não é suficiente, e acaba deixando todo o corpo cair novamente na água gelada. Começa a se desesperar sem saber o que está se passando. Passa a mão pelo seu torso e sente uma costura ao lado com muitos pontos. Fecha os olhos e o choro surge. Ela procura, mas o lugar não possui janelas; apenas uma porta fechada. Começa a percorrer todo o banheiro com os olhos, até deparar-se com uma mensagem escrita em branco no espelho não muito grande, em cima da pia: “Aproveite sua lenda urbana. Você já está sem um rim, vadia”. Descontrolada, ela começa a se debater e finalmente consegue soltar um alto e estridente grito de desespero.


Inicia off de narração.
Enquanto ouvimos a narração, vemos as imagens descritas abaixo:

“Crescer juntos, aprender a gostar, dar as mãos. Momentos necessários, momentos mágicos. Você ir computando, arquivando cada movimento da pessoa, cada corte de cabelo diferente, cada risada em momento errado...”

Dentro de uma loja de tatuagens em Hollywood.
Brian está sentado na cadeira, com o tatuador ao seu lado, trabalhando em seu tríceps. Ele faz cara feia para tentar segurar a dor das agulhadas. Ouve-se apenas o barulho do motor do aparelho. Ele fecha os olhos, colocando a cabeça no encosto da cadeira; e a cena de Griffin dormindo de bruços na cama vem de novo à sua mente. Ele sorri.
A câmera vai aos poucos mostrando o que o tatuador está desenhando, e vemos o nome “Griffin” quase terminado.

Narração:
“... Sem perceber, a pessoa já está completamente ligada ao seu coração, à sua pele, a sua mais profunda partícula interior. É tudo tão divertido juntos, até terminar com um soco no peito, daqueles que te tiram o ar, e você perde seu chão. Não consegue entender o que está se passando, tudo vai escurecendo. Em poucos minutos tudo muda, depois de estar presente ali quase ao seu encalço”.

Revista Today.
Angela está em sua mesa. Pára por um momento de bater os dedos em seu teclado, deixando de olhar para a tela de seu monitor.
Flashbacks de seus últimos dias com Troy Sundance vêem a sua mente:
Quando ela o pegou com Carrie aos beijos, dentro de sua sala na Today; a briga de quando ele terminou tudo com ela, jogando a aliança em sua cara; momentos felizes entre ele e Carrie, que ela presenciou depois do término do noivado; a época em que não conseguia nem levantar da cama por estar em depressão profunda por conta do ocorrido; e por fim, o momento em que conheceu Troy, numa exposição de arte, trombando com ele em frente a um quadro abstrato.

Narração:
“... a morte muda as pessoas. A maneira de ver a vida, a maneira de olhar os outros ao seu redor, a maneira de sentir o calor de um dia quente, o toque de algo morno e dinâmico em seu corpo. Eu estive do lado da morte. Eu estive do lado da morte. Presenciando; assistindo; quase aplaudindo...”

Apartamento de Brian.
Dawnie e Griffin estão transando na cama, ela de quatro, e ele a penetrando, puxando-a pelos cabelos.
“Está gostando de foder a futura atriz mais desejada pelos homens?” pergunta ela ofegante.
“Você é minha, sua putinha! Vai dar pra cinco no filme, mas vai continuar sendo minha!”
Diz continuando a bater seu corpo fortemente contra o dela.
Os dois explodem em gozo, ficam um tempo deitados um do lado do outro até o silêncio ser cortado por uma frase dele: “Você está ciente que esse filme só poderá sair depois do meu casamento, não está?”
Ela continua de olhos fechados, e nada responde.

Narração:
“... O que seria da vida, sem sentimentos de perda. Esforços não existiriam. Romeu não teria sua Julieta. O sorriso da Monalisa não seria mais enigmático. O ciclo da vida pararia, num mundo sem vento onde a caravela não conseguiria mais navegar, e todas as grandes descobertas necessárias estariam à mercê da calmaria... ”

Aeroporto Internacional de Zurique - Suíça.



Uma jovem loira, muito bem vestida com uma saia xadrez e óculos escuros, está sentada folheando uma revista francesa de moda na sala de embarque.
“Atenção passageiros com destino à Los Angeles, seu embarque já está sendo feito através do portão dezesseis” diz a voz feminina nos alto-falantes.
A jovem levanta-se. Em uma das mãos está uma pequena mala, e na outra o bilhete de embarque.
A câmera foca o papel, onde o nome escrito é: “Caroline Remington”.

Narração:
“... Ficam as lembranças, ficam as felicidades, vão-se os olhares tristes. Pode ter certeza que em alguma encruzilhada dessa nossa rodovia, a morte encontra a vida; e sem ela não existiria vida.”

Escrito na primeira tela de créditos está:
David Silver, personagem do seriado Beverly Hills 90210, nasceu e vive em Los Angeles até hoje. Quando garoto, ele presenciou o suicídio de seu melhor amigo Scott Scanlon.”

Episódio dedicado ao amigo e roteirista Stuart Hornung.
“Stu, valeu a pena! Obrigado por sua contribuição às mirabolantes e deliciosas tramas de LA.”